Tribunal de Contas revela geografia de urgências e prioridades de Minas Gerais

O presidente do Tribunal, conselheiro Durval Ângelo, disse que a iniciativa combinou consulta por formulário eletrônico e atividades presenciais

3/11/2026 – O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCEMG) consolidou um levantamento que oferece um mapa das principais demandas da população mineira. A proposta é reunir dados adicionais para organizar o planejamento anual das ações de fiscalização da Corte de Contas mineira. No total, o TCEMG recebeu 4.376 participações de 515 cidades, o equivalente a 60,38% dos municípios mineiros, estruturando um diagnóstico que ainda gerou 2.095 manifestações abertas.

Realizada ao longo de 153 dias, entre 14 de abril e 13 de setembro deste ano, a escuta promovida pelo TCEMG integra o projeto Você no Controle. A iniciativa combinou consulta por formulário eletrônico e atividades presenciais, “em busca de públicos diversos e ampliação da capilaridade territorial da participação”, esclarece o presidente do Tribunal, conselheiro Durval Ângelo.

Os principais resultados do Você no Controle foram apresentados na manhã desta terça-feira (3), durante coletiva na sede do TCEMG. Participaram o presidente da Casa de Contas mineira, Durval Ângelo, e o diretor de Auditoria e Avaliação de Políticas Públicas, Thiago Henrique da Silva. O painel de análises está online e disponível para consultas a partir da página principal do Portal do TCEMG.

No balanço das macroáreas, a Saúde lidera com o maior número de registros (2.345 votos), seguida por Obras e Infraestrutura (1.417) e Educação (1.384). Em relação a situações específicas, ou seja, questões objetivas que afetam o cotidiano da população, “violência urbana e criminalidade” estão no topo da lista (2.551 votos). Em segundo, terceiro e quarto lugares, aparecem as preocupações com “obras paralisadas e/ou atrasadas” (2.528), “combate à corrupção” (2.488) e “acolhimento de pessoas em situação de rua” (2.472).

A saúde pública é a pauta unânime no estado. “Embora saúde e infraestrutura possam ser apontadas como ‘gargalos’ universais em todas as regiões de Minas Gerais, a intensidade de problemas nessas áreas varia de acordo com cada território do estado”, explica Thiago Silva, diretor de Diretoria de Auditoria e Avaliação de Políticas Públicas.

O tema “dificuldade no agendamento de consultas, cirurgias e exames” aparece em sete das 12 mesorregiões, liderando o ranking em cinco delas com percentuais críticos (chegando a 68,42% no Vale do Mucuri, por exemplo). Se somada à “falta de médicos especialistas”, a saúde domina as preocupações em quase todas as regiões.

A intensidade da preocupação no interior do estado em relação à coleta e à destinação correta do lixo surpreende. A demanda pela “coleta e destinação do lixo” aparece como Top 3 de quatro mesorregiões, atingindo o maior índice absoluto de toda a pesquisa: 90% de menções no Noroeste de Minas.

Obras paralisadas e infraestrutura aparecem como problemas crônicos principalmente na Região Metropolitana de BH (63,69%), Campo das Vertentes (61,68%) e Jequitinhonha (58,97%).

A Região Metropolitana de BH apresenta, ainda, um perfil único e focado em segurança e vulnerabilidade urbana extrema (violência urbana, com 66,32%, e pessoas em situação de rua, com 66,21%), comportamento que só encontra eco similar no Triângulo Mineiro.

Você no Controle

“Os dados do projeto Você no Controle oferecem ao Tribunal uma base empírica e qualificada para contribuir no direcionamento das auditorias e monitoramentos, assegurando que o controle externo atue em estrita consonância com as demandas sociais”, analisa o presidente do TCEMG, conselheiro Durval Ângelo. “Esses resultados são insumos adicionais para o planejamento das auditorias”, complementa

O Você no Controle foi idealizado pela Diretoria de Auditoria e Avaliação de Políticas Públicas como um canal direto de controle social, projetado para aproximar o Tribunal da realidade das pessoas em Minas Gerais.

De acordo com o diretor Thiago Henrique da Silva, o projeto é fruto de uma colaboração multisetorial e alinha-se a outras iniciativas de transparência e controle social do TCEMG. “Além disso, a ação fortalece a atuação do Tribunal ao incorporar a percepção da sociedade ao planejamento das auditorias, ampliando a aderência das ações à realidade”, explica o diretor.

A iniciativa é inspirada em experiências similares dos Tribunais de Contas do Paraná, do Rio Grande do Sul e do Tribunal de Contas da União (TCU), “Esses tribunais trabalham, há alguns anos, com a aplicação de formulários online. Seguimos esse caminho, mas acrescentamos a busca ativa para atingir um público mais amplo e diverso”, esclarece Gabriel Grossi, auditor externo do TCEMG, integrante da equipe do projeto.

O Você no Controle opera em um ciclo contínuo de cinco fases sequenciais:

  • Planejamento e estruturação: Definição dos critérios metodológicos do questionário estratégico.
  • Coleta de dados e escuta ativa: Período de campo para o preenchimento digital do formulário oficial por cidadãos de todas as macrorregiões.
  • Tratamento de dados: Processamento estatístico e mapeamento em tempo real das frequências absolutas das queixas.
  • Integração ao planejamento: Inclusão dos temas prioritários no plano de controle (mecanismo conhecido como PAF Social).
  • Ciclo de transparência: Devolutiva pública dos dados consolidados e das auditorias resultantes à sociedade
  • Na reportagem de amanhã, as preocupações das macrorregiões de Minas Gerais estarão em foco. O diagnóstico valida que as demandas por fiscalização em saúde, educação e infraestrutura são estruturais e universais. Mas há diferenças em relação à intensidade que esses temas são indicados.

A série jornalística Você no Controle é mais uma empreitada da Coordenadoria de Imprensa do TCEMG e foi produzida a partir do relatório da equipe de Diretoria de Auditoria e Avaliação de Políticas Públicas. A equipe tem atuado para transformar registros técnicos em narrativas acessíveis, consolidando uma perspectiva analítica de interseção entre os dados internos e externos, qualificando o ecossistema de informação pública. Consulte, ainda, o relatório final do projeto.