Denúncia anônima aponta possível crime ambiental em Ipoema e pede ação do MP

Além da destruição da área, o produto usado apresenta risco iminente de contaminação dos recursos hídricos

22/06/2026 – No mês que é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, com data oficial em 5 de junho, a reportagem do Folha Popular recebeu, no fim tarde de sexta-feira (19), uma denúncia de possível crime ambiental na localidade de Barbeiro, distrito de Ipoema, em Itabira.

Foram enviados diversos registros fotográficos e vídeos de uma grande área de mata nativa, possivelmente desmatada por pulverização química através de drones.

O despejo do material, conforme a denúncia, teve como objetivo limpar a área de mata e transformá-la em pastagem para criação e manejo de bovinos.

A área denunciada está localizada nas coordenadas aproximadas de latitude -19.652615 e longitude -43.446212, apontam as fotografias enviadas para a reportagem.

Além da destruição da área, o produto usado apresenta risco iminente de contaminação dos recursos hídricos, considerando a proximidade das nascentes e a possibilidade de transporte dos resíduos por escoamento superficial, principalmente durante períodos chuvosos.

“A mata atingida tem grande relevância ambiental, estando consolidada há décadas com papel fundamental na proteção de diversas nascentes existentes na região”, diz trecho da denúncia, informando que essas nascentes, conforme georreferenciamento, alimentam cursos d’água que chegam até a barragem de captação, responsável pelo abastecimento hídrico do distrito de Ipoema.

A reportagem fez contato com um homem apontado como proprietário da área de mata preservada destruída. As ligações não foram atendidas.

A denúncia enviada ao Folha Popular também foi encaminhada ao Ministério Público, solicitando realização de vistoria técnica e perícia ambiental no local, a identificação dos produtos químicos utilizados na pulverização aérea, a verificação da extensão dos danos causados à vegetação nativa, à fauna, à flora e aos recursos hídricos da região, a apuração da eventual supressão irregular de vegetação nativa e demais infrações ambientais, a adoção das medidas administrativas, cíveis e criminais cabíveis em face dos responsáveis, a análise das fotografias, vídeos, coordenadas geográficas e demais documentos anexados à denúncia e por fim, a notificação do dono da área atingida, para que apresente esclarecimentos sobre os fatos narrados e as atividades realizadas na área.