Ministério Público alerta para aumento da violência contra a mulher em dias de jogos

Segundo o estudo, os registros de ameaças crescem 23,7% e os de lesão corporal dolosa aumentam 20,8%

13/06/2026 – A Copa do Mundo de Futebol, iniciada na quinta-feira (11), nos Estados Unidos, México e Canadá, mobiliza milhões de torcedores em todo o planeta. No Brasil, onde o futebol ocupa um lugar central na cultura e na identidade nacional, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) aproveita o momento para chamar a atenção para uma realidade preocupante: o aumento dos registros de violência contra mulheres em dias de partidas de futebol.

Por meio do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAO-VD), o MPMG reforça a campanha Cartão Vermelho ao Feminicídio, que busca mobilizar clubes, atletas, torcidas e toda a sociedade na prevenção e no enfrentamento da violência de gênero.

O alerta não se restringe aos grandes eventos esportivos. Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e do Instituto Avon, que analisou ocorrências registradas entre 2015 e 2018 em Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador, identificou aumento significativo dos casos de violência contra mulheres em dias de jogos de futebol.

Segundo o estudo, os registros de ameaças crescem 23,7% e os de lesão corporal dolosa aumentam 20,8% quando os times dessas cidades entram em campo. Quando a partida acontece na cidade do clube mandante, o aumento dos registros de lesão corporal chega a 25,9%.

“A paixão pelo futebol não pode servir de justificativa para comportamentos violentos”, diz a promotora de Justiça Denise Guerzoni

Segundo a coordenadora do CAO-VD, promotora de Justiça Denise Guerzoni, os números evidenciam a necessidade de ampliar o debate sobre masculinidades, respeito e igualdade de gênero também nos espaços esportivos. “A paixão pelo futebol não pode servir de justificativa para comportamentos violentos. O esporte tem enorme capacidade de mobilização social e pode ser um aliado importante na construção de uma cultura de respeito às mulheres”, afirma.

A promotora destaca que o problema não está no futebol em si, mas em padrões culturais que ainda associam masculinidade à agressividade, ao domínio e ao controle sobre as mulheres. “Os dias de jogos exigem atenção especial da rede de proteção. Precisamos atuar preventivamente, reforçando a conscientização e os canais de denúncia, mas também garantindo uma resposta rápida e articulada quando a violência ocorre. Nenhuma mulher deve ficar sem proteção”, ressalta Denise Guerzoni.

De acordo com a coordenadora do CAO-VD, o enfrentamento da violência contra a mulher exige o envolvimento de toda a sociedade, inclusive das instituições esportivas. “Clubes, federações, atletas e torcidas possuem grande influência social e podem contribuir de forma decisiva para a conscientização da população e para a prevenção da violência.”

Cartão Vermelho ao Feminicídio

Para o MPMG, o futebol representa um espaço estratégico para a promoção de mudanças culturais. A campanha Cartão Vermelho ao Feminicídio parte justamente da compreensão de que a prevenção da violência deve alcançar todos os ambientes de convivência social.

A iniciativa busca sensibilizar homens e mulheres sobre a gravidade da violência de gênero e reforçar a mensagem de que o feminicídio e todas as formas de violência contra a mulher não podem ser tolerados.

“A violência contra a mulher é um problema coletivo. Precisamos transformar a indignação em atitude e utilizar espaços de grande alcance, como o esporte, para promover reflexão, conscientização e mudança de comportamento”, destaca Denise Guerzoni.

Compromisso institucional

Por meio do CAO-VD, o Ministério Público de Minas Gerais atua na prevenção e no enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher, apoiando promotores de Justiça em todo o estado e desenvolvendo ações de conscientização voltadas à sociedade.

Com a campanha Cartão Vermelho ao Feminicídio, o MPMG reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos das mulheres e convida a população a se engajar na construção de uma sociedade mais justa, igualitária e livre de violência.

Como buscar ajuda

Mulheres em situação de violência ou qualquer pessoa que presencie uma agressão podem acionar imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190. Denúncias de violência doméstica também podem ser feitas à Central de Atendimento à Mulher, pelo 180, e à Ouvidoria do MPMG, pelo 127, de forma gratuita e, se desejado, anônima.

A vítima pode procurar a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, as Promotorias de Justiça, a Defensoria Pública, os Centros Especializados de Atendimento à Mulher ou outros órgãos da rede de proteção de sua cidade. Em Minas Gerais, também é possível registrar a ocorrência e solicitar medidas protetivas pela Delegacia Virtual ou pelo aplicativo MG App Cidadão.

Outras informações sobre como pedir proteção com base na Lei Maria da Penha estão disponíveis no portal do MPMG.