Gabriel Quintão x Natália Lacerda – comparação desnecessária e evasiva
“São Gonçalo inteira não tem o tanto de habitantes que tem o Gabiroba”, alfineta Natália
“Não é o tamanho da população que define protagonismo, mas a capacidade de
transformar riqueza em desenvolvimento sustentável”, responde Gabriel Quintão
22/03/2026 – Durante encontro com vereadores, na segunda-feira (16), na Câmara, a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Natália Lacerda Faria, considerou como cômica a comparação de São Gonçalo do Rio Abaixo com Itabira em se tratando de população e desenvolvimento econômico, classificando a cidade como inferior a um bairro.
“Fazer uma fala de que São Gonçalo está engolindo Itabira, para mim é até um pouco cômico, sabe, porque São Gonçalo, a cidade inteira, não tem o tanto de habitantes que tem o Gabiroba”, disse Natália Lacerda.
A fala surgiu em resposta ao questionamento do vereador Luiz Carlos de Souza (Podemos), de qual era o número de empresas abertas nos últimos cinco anos por meio do Fundo Municipal de Desenvolvimento Econômico e Social de Itabira (Fundesi), mecanismo público destinado a financiar a diversificação econômica e o crescimento de empresas locais, reduzindo a dependência da mineração. “São Gonçalo, secretária, está engolindo Itabira neste quesito”, completou Luiz Carlos.
Ao contrário de falar de empresas instaladas por meio do Fundesi, e preferir desconsiderar as ações do governo são-gonçalense, a secretária, titubeou e apresentou um mapa com o total de empresas abertas e fechadas na cidade entre 2021 e 2025, informando que o saldo foi positivo em todos os anos.
Na oportunidade, Luiz Carlos entregou à secretária cópia do Fundo de Desenvolvimento de São Gonçalo (Fundesg) com as políticas públicas de diversificação econômica e incentivos para instalação e auxílio à empresas.
Fala de Natália Lacerda provoca reação
O secretário de Desenvolvimento Econômico de São Gonçalo do Rio Abaixo, itabirano que assumiu funções como secretário de Governo, assessor de Gestão, Programas e Metas e secretário de Administração do prefeito Marco Antônio Lage entre 2021 e 2024, respondeu à fala da colega de pasta na função em Itabira.
Para ele, o debate sobre desenvolvimento regional é sempre bem-vindo, especialmente quando trata de temas relevantes como a diversificação econômica e o futuro das cidades mineradoras. No entanto, algumas comparações recentes merecem uma análise mais cuidadosa do ponto de vista técnico.
GABRIEL QUINTÃO: “É evidente que Itabira possui uma população significativamente maior que São Gonçalo do Rio Abaixo, o que constitui um dado demográfico objetivo. No entanto, utilizar o tamanho populacional como base para comparações pode produzir efeito retórico, mas não configura um argumento economicamente relevante.
Na análise econômica regional, o dinamismo de um território não é determinado pelo tamanho da população, mas por indicadores como geração de riqueza, renda per capita, capacidade fiscal, investimento público e qualidade da gestão dos recursos naturais.
Sob essa perspectiva, municípios de menor porte podem apresentar desempenho econômico superior em termos relativos. Esse é o caso de São Gonçalo do Rio Abaixo, que se destaca pela elevada geração de riqueza por habitante e pela capacidade de converter a atividade mineral em investimento público e qualidade de vida.
Itabira, por sua vez, possui um papel histórico inegável na mineração brasileira e na economia regional, o que deve ser reconhecido. Contudo, o desafio atual – comum a ambos os municípios – não está no tamanho, mas na capacidade de diversificar a economia e reduzir a dependência da mineração ao longo do tempo.
Nesse contexto, o debate precisa avançar com base em evidências. A diversificação econômica não se mede por discursos, mas por indicadores concretos, como: planejamento econômico estruturado, infraestrutura para atração de investimentos, fortalecimento do setor produtivo, capacidade de investimento público, eficiência da gestão municipal, Por fim, se o objetivo é qualificar o debate público, é fundamental observar dados objetivos”, disse.
Conforme Gabriel Quintão, dados do IBGE indicam que São Gonçalo do Rio Abaixo gera aproximadamente cinco vezes mais riqueza por habitante que Itabira.
“Do ponto de vista técnico, isso revela uma maior intensidade econômica, refletindo maior capacidade de geração de riqueza e, sobretudo, maior potencial de conversão dessa riqueza em investimento público e qualidade de vida.
Em economia regional, esse é o ponto central: não é o tamanho da população que define protagonismo, mas a capacidade de transformar riqueza em desenvolvimento sustentável. Esse é, inclusive, o principal desafio – e também a principal oportunidade – para todos os municípios da região”, disse o secretário.
Em cinco anos, São Gonçalo assina concessão com 17 novas empresas

Em 12 meses, cidade atraiu mais cinco empresas e prepara seu quarto distrito, às margens da BR-381
Nos últimos cinco anos, São Gonçalo direcionou incentivos que possibilitaram a instalação de 17 novas empresas, só nos últimos 12 meses, foram cinco. Algumas destas empresas estão em processo de implantação e em processo de liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
As empresa são: Refil Resíduos Industriais Eireli, Meta Transportes e Logística, Minas Goiabada, Eglons Comercio e Serviços em Guindaste, Ki-Torresmo, Santa Fé – Serviços, Transporte e Comércio, Gomes Fabricação, Manutenção e Serviços, Nitronel Ltda, Duarte Serralheria, Fralia Indústria e Comércio, Importação e Exportação de Cacau, Priori Tabacos, Vita Química, Construtora Vale Verde S/A, Bionow S/A, Frutos de Minas Indústria e Comércio, R3 Distribuidora, e por último, FrigoHiper São Gonçalo, com assinatura de concessão na segunda-feira (16).
- Matéria publicada na edição 853 do Folha Popular









