Além do bloqueio de mais de R$ 1,3 bilhão, foram apreendidos equipamentos e celulares
Acusados também responderão por sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e crimes contra a saúde pública
26/03/2026 – O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Minas Gerais (CIRA-MG) deflagrou, na manhã de quarta-feira (25), a Operação Casa de Farinha. O objetivo é desarticular um esquema estruturado de fraudes tributárias envolvendo empresas destinadas à industrialização de encapsulados e de marketing digital. A ação também apura os crimes de associação criminosa, falsidade ideológica, lavagem de capitais e delitos contra a saúde pública e contra o consumidor, especificamente a fabricação e o comércio de substâncias sem registro e em desobediência a interdições cautelares da vigilância sanitária.
Foram cumpridos dois mandados de prisão e 17 mandados de busca e apreensão em cidades do centro-oeste mineiro (Arcos, Campo Belo e Lagoa da Prata) e de Goiás (Caldas Novas), sendo alvos sedes de empresas e residências de empresários envolvidos nas fraudes e na lavagem dos capitais ilícitos.
Durante as buscas, foram apreendidos celulares, aparelhos eletrônicos, documentos e outros elementos de interesse à investigação. Além disso, o CIRA-MG obteve o deferimento da indisponibilidade de bens móveis e imóveis dos investigados, bem como o bloqueio de mais de R$ 1,3 bilhão.

Na tarde de quarta-feira (foto), representantes dos órgãos envolvidos deram mais detalhes sobre a operação: promotores de Justiça Janaina de Andrade Dauro, coordenadora do Caoet, e Pedro Henrique Pereira Correa, coordenador regional do Caoet em Divinópolis; Wesley Geraldo Campos, delegado da PCMG; Carlos Renato Machado Confar, superintendente de Fiscalização da Secretaria de Estado de Fazenda; e capitão Edilaine Andrade de Paula Carvalho, porta-voz da PMMG.
O esquema
As investigações revelaram uma estratégia complexa de manipulação do fato gerador para a sonegação de ICMS, inclusive com a utilização indevida da imunidade tributária concedida aos e-books. A par da sonegação tributária, os indícios apontam que os encapsulados eram fabricados sem os princípios ativos anunciados e em desacordo com as normas sanitárias vigentes.
“Conforme apurado, o esquema praticado, além de causar graves danos à saúde de consumidores lesados, acarretou relevante prejuízo ao Estado de Minas Gerais, estimando-se valor superior a R$ 100 milhões”, explicou a coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa da Ordem Econômica e Tributária (Caoet), promotora de Justiça Janaína Dauro.








