Manifestantes durante passeata pelas ruas de Santa Maria na manhã de sábado (11)
- SANTA MARIA DE ITABIRA
17/07/2026 – Uma manifestação pacífica com carreata seguida de passeata pelas ruas de Santa Maria de Itabira, realizada na manhã de sábado (11) por familiares e amigos de Raimundo Nonato Madeira “Chatinho”, de 64 anos, e da filha dele, Luna Vitória Santos Madeira, de 19, vítimas de um crime que segue sendo investigado pela Polícia Civil, acende o debate em relação à escalada dos crimes de violência doméstica e de abuso sexual nos últimos anos, não poupando Santa Maria, município que tem cerca de 10,7 mil habitantes.
A manifestação teve como ilustração cartazes, faixas e o chamado da população para não se calar diante dos crimes de violência doméstica e de abuso sexual.
Dados
A reportagem do Folha Popular cobrou da delegacia de polícia local, informações relacionadas a estes tipos de crime. Apenas a assessoria de comunicação em Belo Horizonte pode informar, a qual acolheu o pedido e ficou de responder em breve.
Assistência
Em se tratando de canais de ajuda, a Secretaria de Assistência Social do município informou que conta com o Núcleo Especializado de Atendimento à Mulher (Neam), um serviço voltado à apuração de infrações penais cometidas no âmbito das relações domésticas e familiares e ao atendimento especializado e acolhedor às mulheres em situação de violência.
O núcleo possui equipe capacitada para oferecer orientações, realizar encaminhamentos e articular ações junto à rede local de proteção, conforme as necessidades identificadas em cada caso. A atuação é fortalecida pela presença de uma profissional de serviço social cedida pela Secretaria Municipal de Assistência Social, promovendo a integração entre a segurança pública e a rede socioassistencial do município.
Chame a Frida
O programa Chame a Frida, que funciona na Delegacia de Polícia, no bairro Conselho, região central, é também um caminho prático para buscar ajuda. Para acionar, basta mandar uma mensagem para o número (31) 99398-6100 por meio do WhatsApp ou escanear o QR Code disponibilizado.
O canal é um assistente virtual da Polícia Civil para mulheres em situação de violência doméstica, oferecendo acolhimento, orientação, agendamento e, em alguns casos, acionamento de viatura, de forma sigilosa e 24h por dia, funcionando como um primeiro contato rápido e seguro para ajudar vítimas de violência, com sigilo e segurança, ideal para quem não pode ir a uma delegacia imediatamente.
Violência contra crianças e adolescentes
Santa Maria de Itabira registrou, em 2026, 13 casos de violência contra crianças e adolescentes, envolvendo situações de violência psicológica, física e sexual. O número reforça a importância da atuação integrada dos serviços públicos e entidades que compõem a rede de proteção no município.
Para fortalecer as ações de prevenção, atendimento e garantia de direitos, o município conta com o Comitê de Enfrentamento à Violência Contra Crianças e Adolescentes, que realiza reuniões bimestrais para discutir os casos atendidos, avaliar estratégias de enfrentamento e propor melhorias nas políticas públicas voltadas à proteção da infância e da adolescência.
Como parte desse trabalho, os profissionais que integram a rede de garantia de direitos receberam capacitação para a realização da escuta especializada em demandas espontâneas. O município também dispõe de um serviço específico, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), destinado à realização da escuta especializada de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência.
Prevista na legislação brasileira, a Escuta Especializada tem como objetivo garantir acolhimento, proteção e os encaminhamentos necessários, preservando os direitos da criança e do adolescente e contribuindo para evitar a revitimização.
O serviço funciona na rua Padre José Martins, nº 239, Centro, e pode ser acionado pelo telefone (31) 3191-3679.
A população também pode contar com a rede de proteção sempre que houver necessidade de apoio, orientação ou encaminhamento. Formada por órgãos públicos e entidades parceiras, a rede atua de maneira integrada para assegurar a proteção integral de crianças e adolescentes.
Rede de Proteção
* Conselho Tutelar: (31) 93300-8154
* Assistência Social: (31) 3191-3682
* Saúde: (31) 3191-3696
* Educação: (31) 3191-3676
* Esporte e Lazer: (31) 3191-3689
* Fundação Francisco de Assis
* APAE
A atuação conjunta entre os serviços públicos e as entidades parceiras fortalece a rede de proteção de Santa Maria de Itabira e contribui para um atendimento humanizado, qualificado e integrado às crianças, aos adolescentes e às suas famílias.
Carreata e passeata

Carreata saiu da praça da vila Marília Costa e percorreu várias ruas da cidade
A carreata seguida de passeata, realizada no último sábado pelas ruas de Santa Maria de Itabira, foi por pedido de justiça pelas mortes de Raimundo Madeira e da filha, Luna Madeira.
A manifestação teve início na vila Marília Costa, de onde familiares, amigos e pessoas da comunidade saíram em carros com balões brancos e cartazes com frases cobrando por justiça.
Após a carreata, passando por várias ruas, os manifestantes pararam próximo a Igreja Matriz e seguiram a pé pelas ruas centrais, com palavras de ordem e cartazes com alertas para que as pessoas, vítimas de violência sexual ou importunações, não se calem, procurem ajuda e acionem a polícia. “Não queremos vingança. Queremos justiça”, reforçou uma das participantes em um microfone.
Pai e filha mortos
As mortes de pai e filha ganharam manchetes em dezenas de órgão de imprensa por todo o estado.

Cartazes ilustram o desejo dos familiares e amigos de Luna e Chatinho
Pelas informações, após enterrar a filha, que tirou a própria vida no domingo (5), sendo enterrada na terça-feira (7), Raimundo Nonato Madeira teve acesso a informações apontando que a filha havia sofrido violência sexual cometida pelo padrasto, identificado como Josemar, de 38 anos.
Inconformado, na noite de terça-feira (7), ele foi ao encontro do padrasto, na rodovia MGC-120, na comunidade de Barra, portando um revólver calibre 32. Ao avistar o homem, ele efetuou disparos atingindo o alvo de raspão, foi quando teve início uma luta corporal, momento em que Josemar desarmou o idoso e o executou com quatro tiros. Câmeras de segurança registraram toda a ação.
De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Militar (PM), o padrasto se apresentou no destacamento militar do município e entregou espontaneamente a arma.
Ele alegou que foi vítima de tentativa de homicídio e reagiu para se defender. Disse ainda que os fatos provavelmente têm relação com comentários que circulam na cidade de que ele mantinha uma relação amorosa com a filha da vítima e que isso teria motivado a jovem, de 19 anos, a tirar a própria vida.
O padrasto negou as acusações e disse que tratava a jovem como enteada. Ele não teve a prisão em flagrante ratificada.
Informação preliminar da Polícia Civil, descarta que carta encontrada, supostamente escrita por Luna Madeira, não denuncia abusos sexuais ou mesmo gravidez. Caso segue sendo apurado.
Matéria publicada com destaque na edição 860 do Folha Popular










