ENTREVISTA GERALDO ABADE: BARÃO DE COCAIS VIVE NOVAS PERSPECTIVAS

“Em dez semanas de gestão, colocamos a creche para funcionar, a Creche Municipal Mafiza Vilela Rodrigues”

Abade coloca a Prefeitura em ordem, resgata a saúde pública e anuncia novos investimentos

09/02/2026 – O prefeito de Barão de Cocais, Geraldo Abade das Dores (PSD), recebeu a reportagem do Folha Popular para um breve balanço do primeiro ano da gestão 2025/2028.
Foram apresentadas diversas ações, com destaque para a saúde, que conseguiu um grande avanço em curto período de tempo, principalmente em relação às filas para exames e cirurgias.

Geraldo Abade, que está em seu quarto mandato, também falou da economia do Município com a chegada do projeto Tamanduá, da Vale, envolvendo a cava da Divisa, com previsão de gerar dois mil empregos nos próximos anos, das sete empresas de mineração que vão investir R$ 12 milhões por ano para manter a limpeza das vias por onde passam seus caminhões, da finalização da obra da creche, gerando pela primeira vez vagas para crianças do município, das obras de desassoreamento do rio no fim de 2025, para evitar enchentes neste verão, da implantação da Guarda Civil Municipal, que está com projeto adiantado, do retorno do programa de casas populares, paralisado desde 2013, concessão da Copasa, entre outras ações realizadas e em andamento. Confira.

Folha Popular: de volta à Prefeitura, neste ano de 2025, quais são as principais ações desenvolvidas?
Geraldo Abade: Foram muitas ações realizadas no decorrer de 2025, nosso primeiro ano de nosso quarto mandato ao lado de nosso vice Bruce [Padovani] e toda a equipe.
O primeiro passo foi a reestruturação da Prefeitura. Tivemos que colocar tudo em ordem. Inclusive, contratamos auditoria para saber de fato o que estávamos assumindo. Nosso Controle Interno ainda trabalha nisso, com tranquilidade para não fazer julgamento precoce. Vamos dar publicidade dos resultados.

Junto a isso, podemos destacar a área da saúde, com a estruturação total do Hospital Valdemar das Dores e da UPA. Realizando diversas ações ali, como cirurgias que estavam represadas há muitos anos, como a de catarata para pessoas de 50, 60, 70 e 80 anos, zeramos a fila de espera por aparelhos auditivos, uma fila de 10 anos, ofertamos mais de 1.900 consultas oftalmológicas para os estudantes e entregamos mais de 1.200 óculos em novembro passado. No hospital, conseguimos diversos equipamentos, com recursos próprios e emendas parlamentares e parceria com nossos vereadores, inclusive vereadores de mandatos anteriores por meio de emendas impositivas. A vinda do Samu regional é outro destaque da gestão.

Avalio que conseguimos equacionar bem as demandas da saúde, e sabemos que temos que avançar ainda mais. Quando o coletivo é atendido, o povo passa a acreditar no governo.
Em se tratando de ações de obras e zeladoria, posso destacar a recuperação de 300km de estradas vicinais, boa parte sem receber este serviço a mais de 15 anos. Fizemos também a dragagem no rio São João e no córrego São Miguel. Em quatro meses, tiramos mais de 2,5 mil caminhões de material. Isso para prevenir problemas graves neste período de chuvas.

Temos também as obras de três pontes, no Centro e nos bairros Leão XIII e Viúva. São serviços para a melhoria da mobilidade urbana, tendo em vista o aumento de veículos pelas ruas da cidade.

Economia aquecida com a expansão da Vale com a cava da Divisa, programa Tamanduá, que consiste na construção de uma pilha para receber o estéril gerado na mina de Brucutu e vai empregar mais de 2 mil além de novas mineradoras

FP: A limpeza urbana foi alvo de muitas críticas em gestões passadas. O que mudou?
GA: A limpeza da cidade também deu uma arrancada muito grande. Nós tínhamos cerca de 40 varredeiras, hoje nós temos mais de 100 pessoas trabalhando nas ruas diretamente, entre terceirizados e efetivos.

Agora, por último, as sete mineradoras que operam na cidade e região e que usam nossas vias para escoamento de produto, assumiram o compromisso de manter as ruas em perfeitas condições de uso e limpas, sem poeira e restos de materiais. Para isso, serão investidos R$ 12 milhões por ano. O plano de ação está em fase de elaboração em parceria com a Associação Comercial de Barão, a Aciabac. Eu acredito que vai ajudar bastante a minimizar o impacto da mineração aqui em Barão. Ainda em se tratando de trânsito, temos o projeto do anel rodoviário, a duplicação da via, que sai na região de Dois Irmãos até a via MGC, tirando o trânsito de caminhões das mineradoras da região central.

FP: você protocolou junto ao Governo Federal em novembro o pedido para que o município receba uma unidade do Instituto Federal de Ciência, Tecnologia e Inovação. Nesses 60 dias, você tem novidade?
GA: Nós estivemos em Brasília juntamente como nosso secretário de Desenvolvimento Econômico, Bruno Quintão, e nos encontramos com o diretor-geral do Ministério da Educação e Cultura. Conversamos com ele por intermédio do deputado federal Reginaldo Lopes, nosso porta-voz nesta questão. Temos boas expectativas na vinda do Instituto Federal, que vai preencher uma lacuna muito grande na área de ensino técnico em nossa cidade, acabando com a necessidade de viagens para a capital e cidades vizinhas para ter acesso a este tipo de formação. Vai funcionar no prédio da antiga Universidade Aberta do Brasil, a UAB. Então, estamos acompanhando essa nossa reivindicação bem de perto, para que nossos jovens possam aproveitar as melhores oportunidades de emprego.

FP: Ao falar em oportunidades de emprego, existem grandes projetos em andamento, inclusive o projeto Tamanduá, da Vale. Você tem acompanhado?
GA: Nos reunimos com pessoas do projeto para tratar de estradas, questão que envolve também moradores da região. Sobre o projeto Tamanduá, ali na cava da Divisa, sabemos do licenciamento e das movimentações em curso. A Vale divulgou que serão gerados dois mil empregos. Estamos acompanhando e esperando por informações formais, até mesmo para avaliarmos o impacto disso em nossa cidade, que tem carência de mão de obra e uma população flutuante de mais de 12 mil pessoas, isso é um terço de nossa população, é uma outra cidade do nível populacional de São Gonçalo do Rio Abaixo dentro de Barão de Cocais. Os impactos são em todos os setores, principalmente na saúde e segurança pública.

FP: Em relação aos impactos. A saúde e a segurança são duas grandes preocupações, certo?
GA: A cada cinco pessoas que vão ali no hospital, duas, três, são de outras cidades, estados e até exterior, como Venezuela e Bolívia.
São pessoas que moram em Barão de Cocais atraídas pelas empresas de mineração e algumas, pelo comércio local.
E muitas destas pessoas têm plano de saúde por meio de suas empresas. Então o que estamos propondo é uma parceria para ajudar ainda mais o hospital, para termos condições de atender, cobrar dos planos de saúde a utilização dessa nossa rede de saúde.
Se fosse só cuidar dos cocaienses, já estava muito bom. Mas existe uma população extra, que passa de 12 mil pessoas. É quase 40% da população.

FP: Por falar em segurança pública, como está a implantação da guarda municipal?
GA: Temos um bom trabalho realizado pelas polícias Civil e Militar, mais de 100 câmeras de segurança, mas precisamos ampliar essa atuação. Como eu disse, temos um extra de 12 mil pessoas trabalhando na região minerária e morando em Barão. Hoje, nossa cidade tem cerca de 500 imóveis, repúblicas na maioria, locados para este grupo. Para lidar com essa situação, que tende a ser ampliada, lançamos o projeto da Guarda Civil Municipal. O projeto está bem avançado e o edital para o concurso será publicado entre março e abril deste ano. Serão 48 agentes armados e treinados. Já temos o local para receber a base, que será na rua Coronel José Gomes, no Centro, em uma estrutura que vai ser doada pela Gerdau, a antiga a ACG. O nosso secretário de Segurança Pública, o coronel PM reformado Adilson Leomar está acompanhando esse projeto, que vai proporcionar ainda mais segurança para Barão de Cocais.

FP: Temos a informação de que pela primeira vez Barão passou a ofertar vagas em creche. É isso mesmo?

GA: Sim. Quando assumimos, encontramos a obra da creche no bairro Lagoa simplesmente abandonada por oito anos.
Em dez semanas de gestão, colocamos essa a creche para funcionar, hoje Creche Municipal Mafiza Vilela Rodrigues.

FP: Por que ela ficou tanto tempo esperando a conclusão?
GA: O ex-prefeito Armando Verdolin, gestão de 2013/2016, deixou a creche 90% pronta. Mas não sabemos porque, na gestão anterior eles não colocaram a creche para funcionar, mesmo com a demanda, que é grande. Agora, entregue, a unidade acolhe diariamente 60 crianças. A capacidade é maior, mas depende de estudos, pois o ideal é de no máximo 15 crianças por sala. Vamos concluir também a obra da creche no bairro Garcia. Lá serão, inicialmente, cerca de 80 vagas. As obras de conclusão tiveram início em dezembro.

FP: Você protocolou no Ministério das Cidades em novembro do ano passado o ingresso de Barão de Cocais no programa Minha Casa, Minha Vida, para 40 casas. Tem novidade?
GA: Nós temos a área determinada para esta solicitação e também o layout da infraestrutura, como água, esgoto, calçamento, asfalto e o recurso para poder realizar. Estamos esperando o retorno do Governo Federal para assinarmos o convênio. Nossa expectativa é a assinatura do convênio neste primeiro semestre.
Também temos o projeto para mais 144 apartamentos, estes por meio da Caixa Econômica Federal, para a região do Garcia, no Dois Irmãos.

Este programa foi lançado há dois anos, mas seguia parado aqui em Barão, que tem um déficit habitacional aproximado de 1.500 moradias. Para piorar, nos últimos anos, eu não vi ações da Prefeitura nesse sentido. Para se ter uma ideia, as últimas moradias foram entregues na gestão do Dr Jair, com 100 casas, e na minha última gestão, em 2009/2012, com o total de 255 imóveis através do Coab e Caixa. Nesse período, tínhamos um déficit de 800 imóveis. Quase dobrou em 12 anos e nada foi feito. Os moradores do distrito de Cocais também solicitam a construção de casas populares. Vamos trabalhar para isso.

FP: Vamos falar de economia. O PIB de Barão de Cocais praticamente dobrou de R$ 800 milhões em 2015 passou para R$ 1,5 bilhão em 2024, ou seja, o município vive uma nova fase da mineração, um total de sete mineradoras instaladas, é isso mesmo?
GA: São sete no momento. As pessoas falam que tem 11, mas estas quatro estão em cidades vizinhas, com algumas gerando impactos diretos em nossa cidade.

Não tenho números exatos, mas posso dizer que a mineração voltou a ser o principal gerador de tributos para a Prefeitura, em ISS com o descomissionamento da mina de Gongo Soco e o ICMS e a Cfem das extrações atuais de minério.

A expectativa é de que isso aumente com o projeto Tamanduá e mina da Divisa, da Vale, com geração de dois mil empregos, conforme divulgou a mineradora. E também as outras seis empresas que operam em solo cacaiense.

FP: Em se tratando de emprego. Apenas a Vale prevê gerar dois mil com o projeto Tamanduá. O governo tem trabalhado para defender parte destas vagas para o cocaiense?
GA: A nossa mão de obra é escassa. Se você for procurar um ajudante um pedreiro, um eletricista, um carpinteiro, você tem muita dificuldade. Então, eu acho que cabe a nós uma parceria junto ao Senai, que implantamos em 2005, a Aciabac, para trazermos mais cursos técnicos.

O Governo do Estado tem previsão de implantar cinco ou seis novos cursos por meio do programa Trilhas do Futuro, tem as mineradoras que estão sempre abrindo vagas de trainee, de estágio, mas precisamos ampliar isso.

FP: Quais as ações estruturantes a gestão pode destacar?
GA: Nós estamos fazendo um grande projeto de construção de novos trevos, na região do Andaime, do Garcia, na rotatória que vai para a Estação Dois Irmãos. Pretendemos fazer um trevo no acesso ao distrito de Cocais, nossa porta de entrada para o turismo ecológico e religioso. Vamos fazer também um portal lá. No acesso principal, pela BR-381, vamos também fazer um grande portal. Isso para melhorar a mobilidade, a segurança, valorizar nosso povo, além de melhorar esteticamente estes acessos.

FP: Como está a concessão da Copasa e possível licitação?
GE: A concessão da Copasa está vencida há mais de cinco anos. O governo passado tentou realizar uma nova licitação, contudo, os entraves jurídicos acabaram paralisando. Atualmente, este processo está no Tribunal de Contas do Estado para análises. Dependemos desse parecer agora. Queremos e precisamos fazer o processo, contratar uma boa empresa de saneamento básico com condições de ampliar a captação, tratamento, investir em redes de distribuição e realizar também a coleta e tratamento do esgoto. Nossa população segue crescendo, principalmente a população flutuante e, infelizmente, a Copasa não tem feito os investimentos necessários, mesmo cobrando pelo serviço. No final de 2025, por exemplo, a Prefeitura teve que colocar caminhões-pipa para abastecer caixas d’água residenciais e a Copasa simplesmente cruzou os braços. Seguimos cobrando celeridade ao Tribunal de Contas para seguirmos com o processo que tenha como base não só preço, mas técnica e capacidade de investimento, pois a nova concessão será para 30 anos.

FP: Sobre o pátio subutilizado da Gerdau?
GA: Eu gostaria que a Gerdau voltasse a operar na cidade, voltasse com os empregos, com a geração de renda. Como isso é praticamente impossível, enxergamos a possibilidade da direção da empresa de repassar a área para o Município, para que possamos implantar ali uma área empresarial, com diversas empresas com segmentos diversificados. Uma fábrica de doce, roupa, centros gastronômicos por exemplo. A Cozinha Escola de Barão hoje é referência nacional. Podemos aproveitar melhor isso. O espaço abriga com facilidade umas vinte fábricas e além de empresas varejistas e até uma faculdade para garantir mais movimento.

Nós oficializamos a direção da empresa em relação a essa possibilidade em maio, junho do ano passado. Queremos transformar o local, que deve ter o tamanho de uns 20 campos de futebol, em um polo empresarial sem degradação ambiental. Estamos aguardando uma contraproposta da Gerdau e já acionamos importantes parceiros, como a Federação das Indústrias, nossos representantes na Assembleia de Minas e Câmara dos Deputados. Temos que pensar no pós-mineração, e esse polo empresarial pode ser o começo de uma nova era para Barão de Cocais.

FP: Prefeito Geraldo Abade, considerações finais?
GA: Além de todas estas ações, seguimos com nosso plano de governo e mais, mantendo o diálogo institucional com os vereadores, que têm colaborado com o desenvolvimento de Barão de Cocais, aprovando pautas importantes. Eu falo até a frase de impacto aqui; “Quando o diálogo é maduro, a cidade avança”. Então temos que ir para frente e a Câmara é parceira nos projetos que buscam a melhoria da qualidade de vida de nossa população.