Prefeito tem postura divergente ao dizer, no final da carta, que ‘segue a disposição para diálogo constante e transparente’, mesmo recusando reunião com sindicato
25/07/2025 – Depois do Sindicato dos Trabalhadores Servidores Públicos Municipais de Itabira (Sintsepmi) buscar em vão, uma reunião com representantes do governo municipal a fim de discutir a ameaça de greve, proposta na segunda-feira (21) pelos próprios trabalhadores públicos, o prefeito Marco Antônio Lage (PSB) produziu uma Carta Aberta ao servidor para esclarecer os motivos dos cortes de benefícios e pedir apoio. Mais uma vez, o sindicato, que representa os trabalhadores do município, foi ignorado, tomando conhecimento da carta por meio de associados que compartilharam o documento com o presidente da entidade, Auro Roberto Gonzaga.
A proposta de greve vem sendo mencionada desde segunda-feira, após o prefeito notificar os servidores com a informação de limitação do cartão-alimentação aos menores salários. A medida veio se somar a outras que pesaram sobre a renda dos trabalhadores, como a suspensão do subsídio sobre o plano de saúde Unimed que atende pessoas lotadas no serviço público municipal. Sem o subsídio, o plano fica 33,3% mais caro. Já o cartão-alimentação foi limitado aos servidores com menor renda.
A decisão pela greve ou não está prevista para o final da tarde desta sexta-feira (25), em assembleia que acontece no pátio em frente à Prefeitura. A primeira chamada é às 18h e a segunda chamada, às 18h30. Além do corte do cartão-alimentação e do encarecimento do plano de saúde, a assembleia discutirá outros assuntos pertinentes à classe.
De acordo com o projeto de lei enviado à Câmara Municipal pelo Executivo, o auxílio-alimentação, através de cartão eletrônico, no valor mensal de R$ 470,01 atenderá aos agentes públicos municipais da administração direta e indireta, que recebem remuneração mensal total de até R$ 4.517,22, entre os que ocupam cargo efetivo, agentes de combate a endemias, agentes comunitários de saúde e servidores contratados temporariamente.
Já pessoas que ocupam exclusivamente cargo declarado em lei de livre nomeação e exoneração, os secretários municipais, os ocupantes da Assessoria de Gestão Programas e Metas e da Assessoria de Projetos e Captação de Recursos, o chefe de gabinete, o procurador geral do município, o corregedor municipal, o superintendente da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, os diretores-presidentes do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), da Empresa de Desenvolvimento de Itabira (Itaurb) e do Instituto de Previdência de Itabira (Itabiraprev) e na Câmara; os agentes políticos, o procurador-geral e o diretor-geral, ficam excluídos do benefício.
No projeto de lei, o prefeito alega que entre os objetivos da medida é assegurar a sustentabilidade fiscal do município, equilibrando a política de valorização do servidor com responsabilidade financeira. Diz ainda que a mudança de critérios garante o auxílio-alimentação prioritariamente aos servidores de menor renda.
Sindicato diz que cortes retiram dos os benefícios dados ao servidor antes das eleições
Para o sindicato, através dos cortes, o prefeito está retirando tudo que deu ao servidor, aumento e benefícios, antes das eleições de 2024. Somente o cartão-alimentação e o plano de saúde deverão impactar negativamente em R$ 700 os salários dos professores, uma das classes mais afetadas pela medida, segundo denunciaram em protesto na Câmara Municipal. Os servidores querem uma oportunidade de discutir as medidas com o governo e reclamam de não terem sido ouvidos.
- Carta assinada pelo prefeito AQUI









