Faixas em terrenos invadidos pelas empresas cobram asfalto em troca da captação de água
01/07/2025 – Comunidades rurais de Itabira estão solicitando que o projeto de captação de água no rio Tanque inclua condicionantes para melhoria da estrada local, afetada pela obra. Os moradores buscam garantir que as vias de acesso sejam adequadas, considerando o impacto da movimentação de maquinário e veículos durante a obra.
O pedido já foi apresentado ao presidente da Câmara Municipal, Carlos Henrique Silva Filho “Carlin Sacolão Filho”, que foi pessoalmente ao local ouvir os moradores, mas não deu retorno das demandas. Os moradores vão agora denunciar a situação ao Ministério Público com pedido de intervenção a favor dos prejudicados.
A expectativa é que as autoridades competentes analisem as reivindicações da comunidade e incluam as condicionantes necessárias ao projeto, garantindo que a obra seja realizada de forma a minimizar os impactos negativos sobre a infraestrutura local e a garantir a segurança e o bem-estar da população.
A captação no rio Tanque é considerada a maior obra de saneamento da história de Itabira, com proposta de garantir o abastecimento de água da cidade por 30 anos, especialmente em períodos de escassez hídrica. No entanto, comunidades do entorno reclamam que no projeto faltou uma política de compensação para as localidades que terão seus ambientes alterados para viabilização do projeto. Moradores apontam transtornos e danos à infraestrutura existente, como a deterioração das estradas e até mesmo alteração estrutural ou de abastecimento nas propriedades mais próximas, além da diminuição da água recebida.
Os moradores reconhecem a importância da obra e garantem que apoiam. Eles apenas defendem não serem ignorados.

As reclamações vão de invasão das estradas e riscos aos usuários devido à falta de sinalizações
“Sabemos que esta obra é de extrema importância para atender a demanda de água do município e também vai facilitar a vinda de novos empreendimentos para Itabira e somos totalmente a favor dessa captação de água na nossa região. Mas também gostaríamos de contar com a sensibilidade tanto da Prefeitura como da Vale para que aproveitem esse momento ímpar para o Município (bairros centrais) e também nos beneficiem, já que esse projeto não beneficiará diretamente a nossa região, pedimos encarecidamente uma contrapartida, que é o asfaltamento entre a MG-129 até a comunidade de Gomes, onde será feita a captação da água”, reivindicou Wanderson Fonseca Alves “Dandinho”, proprietário de um terreno na comunidade de Gomes.
“Minha propriedade fica logo abaixo do rio e com certeza o fluxo de água será reduzido. Parte do terreno sofrerá danos estruturais”, justificou ele.
Para o fazendeiro Antônio Nogueira, a situação ainda é pior. A obra de captação da água está sendo realizada dentro da sua propriedade e destruindo o solo e a área de pastagem e sem qualquer tipo de acordo. Não foi oferecida indenização ou ressarcimento dos prejuízos.
“Eles chegaram e disseram que tinham uma liminar judicial para fazer o serviço e foram invadindo tudo, quebrando tudo. Estão arrebentando o pasto. Se você chegar aqui hoje (24/06) você vai ver eles cavando terra”, denunciou o fazendeiro.
Os prejuízos, de acordo com ele, vão além da destruição física. “Estou sem saber o que fazer com o gado e outros animais, minhas plantações, a água que abastece, além da obra ter tirado o sossego da gente. São mais de 20 veículos enfiados aqui dentro das minhas terras dia e noite”.
Apesar de sempre ter sido um dificultador, especialmente em períodos de chuva, principalmente para os produtores e estudantes, a movimentação dos trabalhos no momento está agravando a situação da estrada de acesso. O movimento está inclusive colocando as pessoas em perigo.
Moradores vão recorrer ao Ministério Público
Diante dos problemas, os moradores estão se sentindo abandonados pelas autoridades e ignorados em seus direitos. “Não conseguimos entender como liberaram uma obra desta sem considerar os impactos para quem mora no local”, questionou Wanderson Alves.
Para mitigar esses impactos, os moradores estão reivindicando a inclusão de condicionantes ao projeto que promovam melhorias e reparos na estrada. Essas condicionantes, que devem envolver o asfaltamento da via principal de acesso, podem resolver o problema da estrada de forma definitiva e compensar as comunidades pela obra.
O projeto já prevê o asfaltamento de uma parte da estrada, deixando de fora cerca de 12 quilômetros apenas. “Só queremos que estendam esse trabalho a quem mais está sofrendo com os impactos da obra”, disse Wanderson Alves.
Apesar dos moradores de Gomes serem os mais prejudicados, a obra impacta diretamente mais de 10 comunidades, entre elas: Padres, Piabas, Pedras, Madeira, Bueie, Martins, Posses, Gomes, Capitinga Meireles, Capela da Ponte e outras comunidades ou áreas conhecidas na região.
Enquanto a pavimentação não vem, os moradores pedem instalação de sinalização adequada e outras medidas que visem minimizar os transtornos causados pela movimentação de veículos e equipamentos durante a obra.
- Matéria publicada na edição 833 do Folha Popular









