Presidente Lula, amigo pessoal do ditador, convoca reunião emergencial após prisão
03/01/2026 – Os Estados Unidos prenderam o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, para ser julgado nos EUA, segundo um senador republicano que afirma ter conversado com o secretário de Estado, Marco Rubio.
“Ele me informou que Nicolás Maduro foi preso por funcionários dos EUA para ser julgado por acusações criminais nos Estados Unidos, e que a ação cinética que vimos esta noite foi implantada para proteger e defender aqueles que executam o mandado de prisão”, postou o senador de Utah Mike Lee no X na manhã deste sábado (3).
“Esta ação provavelmente se enquadra na autoridade inerente do presidente, nos termos do Artigo II da Constituição, para proteger o pessoal dos EUA de um ataque real ou iminente”, acrescentou Lee.
No início da manhã deste sábado, Lee havia levantado preocupações sobre o ataque, escrevendo no X: “Estou ansioso para saber o que, se houver, pode justificar constitucionalmente esta ação na ausência de uma declaração de guerra ou autorização para o uso da força militar”.
“Operação brilhante”, diz Trump ao NYT sobre ataque na Venezuela e prisão de Maduro
“Muito planejamento bom e muitos soldados ótimos, ótimas pessoas,” ele disse ao repórter
O presidente dos EUA, Donald Trump, conversou com repórter do New York Times na madrugada deste sábado (3), logo após anunciar em redes sociais a captura de Nicolás Maduro, o líder da Venezuela, e os ataques a Caracas.
“Muito planejamento bom e muitos soldados ótimos, ótimas pessoas,” ele disse ao repórter. “Foi uma operação brilhante, na verdade.”
Quando questionado de havia autorização do Congresso antes que os militares dos EUA, junto com agentes da lei, realizassem um “ataque em grande escala”, o presidente afirmou que o tema seria visto na coletiva de imprensa, marcada para 13h (horário de Brasília).
“Vamos discutir isso,” ele disse. “Vamos fazer uma coletiva de imprensa.”
Javier Milei comemora prisão de Maduro: ‘A liberdade avança’
Presidente da Argentina é considerado um dos maiores críticos ao regime de Maduro
O presidente da Argentina, Javier Milei, celebrou com entusiasmo a prisão do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, por uma operação militar dos Estados Unidos neste sábado (3).
“A liberdade avança, viva a liberdade” “La libertad avanza, Viva la libertad carajo”, declarou Milei, em postagem numa rede social, na qual compartilhou a notícia sobre a prisão.
O presidente da Argentina é um dos maiores críticos ao regime de Maduro na América Latina. Ao discursar na sessão plenária da 67ª Cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu (PR), em dezembro, Milei saudou a pressão dos Estados Unidos para “libertar o povo da Venezuela”, conforme suas palavras.
Na ocasião, ele disse que a Venezuela estava “padecendo de uma crise política, humanitária e social devastadora”. Além disso, o argentino ainda fez uma saudação ao “reconhecimento internacional à coragem de María Corina Machado”, que ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2025.
Lula convoca reunião emergencial após prisão de Maduro
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, amigo pessoal do ditador Nicolas Maduro, convocou para às 10h deste sábado (3) reunião com ministros e assessores.
O petista está de férias na base da Marinha em Marambaia, no Rio de Janeiro, e vai participar do encontro de forma remota.
Acusações
O ditador venezuelano Nicolás Maduro era procurado pelo governo dos Estados Unidos, desde 2020, quando um processo criminal foi aberto contra ele e mais 14 membros do governo da Venezuela, em tribunais de Nova York, Miami e Washington (DC). Maduro e seus companheiros são acusados dos crimes de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse e conspiração para possuir metralhadoras e dispositivos destrutivos, além de lavagem de dinheiro. A sentença mínima para esses crimes variam de 10 a 30 anos, sendo que a máxima é prisão perpétua.
De acordo com a acusação, divulgada em março de 2020 pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, desde 1999 Maduro integraria o cartel Los Soles (Os Sóis), cuja atuação em conjunto com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) pretendia “‘inundar’ os Estados Unidos com cocaína”.
“Maduro Moros e os outros membros do cartel acusados abusaram do povo venezuelano e corromperam as instituições legítimas da Venezuela – incluindo partes das forças armadas, aparato de inteligência, legislatura e judiciário – para facilitar a importação de toneladas de cocaína para os Estados Unidos. O Cartel de Los Soles procurou não apenas enriquecer seus membros e aumentar seu poder, mas também ‘inundar’ os Estados Unidos com cocaína e infligir os efeitos nocivos e viciantes da droga aos usuários nos Estados Unidos”, afirma o governo americano.
Segundo a acusação, Maduro negociou carregamentos de várias toneladas de cocaína produzida pelas FARC, ordenou o fornecimento de armas de nível militar às FARC pelo cartel e articulou para que líderes das FARC treinassem um grupo de milícias não autorizadas para atuar como uma unidade das forças armadas do Cartel de Los Soles.
O ditador também é acusado de coordenar relações exteriores com Honduras e outros países, de modo a facilitar o tráfico de drogas em larga escala. Em 2004, os EUA estimavam que pelo menos 250 toneladas de cocaína transitavam pela Venezuela anualmente. “De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, aproximadamente 75 voos não autorizados suspeitos de atividades de narcotráfico entraram no espaço aéreo hondurenho apenas em 2010, usando o que é conhecido como a rota de cocaína na ‘ponte aérea’ entre Venezuela e Honduras”, detalha a acusação.
De acordo com Ariana Fajardo Orshan, procuradora dos EUA do Distrito Sul da Flórida, na década anterior ao processo criminal, funcionários corruptos “saquearam sistematicamente bilhões de dólares da Venezuela”, usando bancos e imóveis do estado americano para ocultar suas atividades ilegais. “Como mostram as acusações recentes, a corrupção venezuelana e a lavagem de dinheiro no sul da Flórida se estendem até mesmo aos mais altos níveis do sistema judicial da Venezuela. Nos últimos dois anos, o Ministério Público dos EUA no sul da Flórida e seus parceiros federais de aplicação da lei se uniram para apresentar dezenas de acusações criminais contra funcionários de alto escalão do regime e co-conspiradores, resultando em apreensões de aproximadamente US$ 450 milhões”, explicou na época.
- Procurado
Em agosto de 2025, o Programa Recompensas de Narcóticos do Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou Maduro como “procurado”, e aumentou de US$ 15 para US$ 50 milhões a recompensa “por informações que levem à prisão e/ou condenação” do ditador. “Se você tiver informações e estiver localizado fora dos Estados Unidos, entre em contato com a Embaixada ou Consulado dos EUA mais próximo. Se estiver nos Estados Unidos, entre em contato com o escritório local da Administração de Combate às Drogas (DEA, na sigla em inglês) em sua cidade”, diz o texto.
Com informações da CNN









