Eles fazem protesto na Câmara contra corte do cartão-alimentação; greve vai continuar se o projeto de lei for aprovado
28/07/2025 – “Eu não abro mão, a greve continua se cortar nosso cartão”. Com esse grito de guerra servidores públicos municipais de Itabira, a maioria professores, reafirmaram a decisão de seguir com os protestos contra as últimas medidas adotadas pelo prefeito Marco Antônio Lage (PSB) em nome da contingência de gastos, durante a reunião de comissões da Câmara Municipal desta segunda-feira (28). Os servidores compareceram em massa à reunião para tentar convencer os vereadores a se posicionarem contra o Projeto de Lei 111 do Executivo.
O projeto altera a lei que concede o benefício, limitando o cartão-alimentação que atende atualmente a toda a classe para os servidores que recebem salários abaixo de R$ 4,5 mil. O corte do benefício se soma a outras medidas que vem minando os ganhos dos trabalhadores municipais, entre elas, a suspensão do subsídio do plano de saúde, encarecendo em 33,3% a mensalidade para eles.
A manifestação no prédio do Legislativo acontece dois dias após os servidores declararem estado de greve. A participação na reunião de comissões é uma tentativa definitiva para a efetivação da paralisação.
Durante a reunião, o presidente do Sindicato dos Servidores Trabalhadores Municipais de Itabira (SintSepmi), Auro Roberto Gonzaga distribuiu nariz de palhaço e balões pretos aos manifestantes e depois de ouvir justificativas do secretário municipal de Administração, Paulo Henrique Gomes Figueiredo e do presidente da Comissão de Justiça, Marcelino Guedes (PSB), fez um uso breve da palavra e incitou ainda mais. “Só quero saber qual será o posicionamento de cada vereador. Como cada vereador vai votar, favorável ou contra os servidores?”.
Toda a reunião foi marcada por tensão. Dez servidores tiveram a oportunidade de se inscreverem para falar e alguns mais exaltados criticaram e acusaram os vereadores. Teve um vereador que não aceitou bem as críticas.
Quando o vereador Luiz Carlos de Souza (MDB), único opositor ao governo, fazia um discurso solitário de apoio aos servidores, anunciando medidas próprias em solidariedade a eles, Elias dos Reis Lima (Solidariedade) cedeu às provocações e acabou se desentendendo com um servidor na plateia. Foi necessário que o vereador Rodrigo Alexandre Assis Silva “Diguerê” (MDB) e o secretário Paulo Henrique interviessem para evitar agressões físicas entre eles.
O presidente da comissão, vereador Marcelino Guedes, por sua vez, precisou interromper por diversas vezes discursos dos manifestantes para garantir a ordem e tempo da reunião.
O vereador Leandro Pascoal (PSD) também se sentiu provocado pelos servidores, quando um dos manifestantes leram uma carta do presidente do seu partido, declarando apoio aos servidores. Pressionado pelos manifestantes, ele respondeu que não iria adiantar seu posicionamento quanto ao projeto de lei que altera as condições para concessão do cartão-alimentação aos servidores e afirmou que o voto é seu e não do partido.
Governo vai fazer mais cortes, anunciou secretário de Administração
O secretário municipal de Administração, Paulo Henrique Figueiredo, foi em missão de restabelecer as pazes do governo com o servidor. Em discurso análogo ao texto da carta aberta escrita pelo prefeito ao servidor na sexta-feira (25), apelou para os acordos realizados na primeira gestão Marco Lage, afirmando que as medidas de contenção no momento são necessárias e vão continuar.

“Nenhum outro [governo] deu um reajuste igual tiveram nesses últimos quatro anos”. Paulo Henrique largou o microfone sob vaias e protestos.
Paulo Henrique avisou que novas medidas de redução de custos deverão ser apresentadas nas próximas horas. Mas explicou que não se pode esquecer o que o atual governo já fez por eles, citando reajustes salariais, o estendimento do cartão-alimentação e outros. Ele afirmou que Marco Lage foi o prefeito que mais investiu na valorização dos servidores, fazendo referência a implantação do piso salarial dos professores e enfermeiros.
“Nenhum outro [governo] deu um reajuste igual tiveram nesses últimos quatro anos. Foi concedido ao professor o maior piso”. Paulo Henrique largou o microfone sob vaias e protestos.
O presidente da comissão Marcelino Guedes foi atacado com gritos de que ele vai sair da Câmara.
A Polícia Militar foi acionada para garantir que a situação fosse mantida sob controle.
Luiz Carlos anuncia renúncia ao cartão-alimentação aprovado aos vereadores
O vereador Luiz Carlos de Souza (MDB) foi o que mais se sentiu à vontade entre os parlamentares diante dos protestos. Ele reafirmou seu apoio aos trabalhadores do município e aproveitou para fazer um anúncio que o aproxima mais ainda dos manifestantes.

O pedido de renúncia foi oficializado por Luiz Carlos (1º dir.) ao Legislativo por meio do ofício
Em solidariedade aos servidores, o vereador disse que renunciou ao cartão-alimentação
O emedebista disse que diante do momento de escassez, ele não acha justo o vereador com salário e condições privilegiadas, criar benefício para si próprio, enquanto servidores assalariados perdem os seus benefícios. “Não posso aceitar esse benefício enquanto vejo funcionários da empresa Evolução almoçando na rua, esquentando marmita em latinha, sem banheiro e sem nem água para lavar as mãos. Isso é desumano”.
O pedido de renúncia foi oficializado ao Legislativo por meio do ofício no qual informa que a sua decisão é tomada em repúdio à grave situação que o município de Itabira vem enfrentando, resultado direto da falta de gestão e responsabilidade administrativa por parte do atual prefeito. Não é aceitável que, enquanto entidades hospitalares têm seus repasses cortados, servidores públicos perdem seu cartão-alimentação e trabalhadores terceirizados são demitidos, a Câmara mantenha esse tipo de benefício aos vereadores”.
No documento, ele mostra sua indignação à instituição do benefício em meio ao sofrimento do servidor e declara que não pode compactuar isso. “Manter esse benefício em meio a tanto sofrimento é, para mim, como se os vereadores estivessem vendando os olhos diante da realidade dura que a população está enfrentando. Não posso compactuar com isso. Não me sinto à vontade em usufruir desse valor enquanto tantas famílias passam necessidade e trabalhadores são tratados com tamanho descaso em nossa cidade”.
Por fim, no mesmo documento ainda autoriza que o valor do benefício seja repassado a alguma entidade social ou hospital, conforme decisão da Câmara.
Nova manifestação com protestos contra os cortes de benefícios deve acontecer durante a reunião ordinária desta terça-feira (29).









