Gabriel Quintão abre mão de seguir como vereador suplente empossado para continuar como secretário em São Gonçalo
Secretário destaca lealdade, avanço da industrialização em São Gonçalo e o desafio de reverter um problema social local
22/02/2026 – O secretário de Desenvolvimento Econômico de São Gonçalo do Rio Abaixo, o itabirano Gabriel Duarte de Alvarenga Quintão (PDT), 29 anos, recebeu a reportagem do Folha Popular na nova sede da Prefeitura, a Cidade Administrativa, para falar das ações a frente de uma das mais importantes pastas do primeiro escalão, que tem o desafio de apresentar propostas e ações para acelerar o desenvolvimento do município governado pelo prefeito, e ex-deputado estadual, Raimundo Nonato de Barcelos “Nozinho” (PDT).
O secretário falou também das ações para reduzir o número de moradores em programas sociais do Governo Federal, mais de 3 mil famílias atualmente. A reportagem quis saber também da decisão de abrir mão de seguir como vereador suplente em Itabira, após vaga deixada pela colega de partido, Dulce City, que assumiu a Secretaria de Governo a convite do prefeito Marco Antônio Lage (PSB).
FP: A Secretaria de Desenvolvimento Econômico de São Gonçalo do Rio Abaixo projeta ações para garantir o crescimento do município, principalmente com foco no pós-mineração. Quais são os destaques?
GQ: Nós temos o projeto Prospera Mais. Ele reúne todas as políticas públicas voltadas à gestão econômica. Também o programa de crédito para apoiar o pequeno, médio e o grande empreendedor, o Bolsa Trabalho, o Qualifica, que é um programa de qualificação com foco na formação da mão de obra local junto com o Senai, com o Senai Lab. Tivemos agora, no final do ano passado, a assinatura da aliança estratégica com o Instituto Federal de Minas Gerais, escola técnica, que se materializa neste ano.
Nós temos também o Distrito Industrial 3 com 400 mil m², em fase de conclusão. A novidade é que já vamos assinar a primeira concessão, com a Bionow, uma startup focada na produção de biocarbono de alta densidade. Vai ser o segundo maior investimento da história de São Gonçalo do Rio Abaixo, que posiciona a cidade como um município na rota da descarbonização, gerando mais de 70 empregos, um investimento de mais de R$ 150 milhões. Ou seja, o distrito três já nasce com uma grande empresa.
Temos também o Distrito de Produção de Alimentos, que está em licitação, devendo ser homologado em breve. Vai ser um local com 10 galpões em conjunto com o Instituto Federal, uma espécie de incubadora, mas com um modelo mais aperfeiçoado, onde pequenos empreendedores do setor de alimentos vão poder estar ali e receber orientação para crescer. Então, a ideia é fomentar isso como indústrias de alimentos. Outro projeto é o Distrito de Pequenas Indústrias, que é um projeto que faz a concepção com a Secretaria de Obras.
“Eu sempre digo que não há que se falar de desenvolvimento econômico sem desenvolvimento das pessoas”
Além disso, a continuação de todas essas políticas públicas, que são o Fundo de Equalização, o programa Crescer Sem Juros, o Bolsa Trabalho, o Senai, o Senai Lab, o IFMG. Nós temos também, para este ano, o início do Prosperar, que é a Política de Emprego e Renda, um programa onde vamos unir quem está procurando emprego com quem está ofertando emprego, através de uma plataforma 100% digital, a gente já está com o contrato assinado, acho que no máximo neste mês a gente já deve ter isso pronto.
Para este ano ainda, nós temos a empresa Nitronel, em fase final de instalação, e a Fralia Cacau Brasil, que iniciou as obras para poder fazer a planta que vai beneficiar um milhão de toneladas de cacau ao mês, e a Priore Tabacos, que vai produzir cigarros e está em fase de alvarás com a Vigilância Sanitária.
Não posso deixar de falar da TQA Vita Química, que vai produzir sulfato de alumínio. Fora isso, tem a Fruto de Minas, que já está se instalando e a Ki-torresmo, que também está se instalando.
E tem outras que nós estamos em fase final de concessão, de homologação. Então, são ações muito importantes, integradas. A Secretaria de Desenvolvimento Econômico tem uma integração muito grande com todas as outras áreas.
FP: Um número significativo de empresas em pouco tempo. Resultado de liderança e de confiança?
Sim. A gente dialoga e conversa muito sobre essa liderança do Nozinho. Essas não são questões que nasceram agora, são sementes que foram plantadas lá na primeira gestão dele e que foram crescendo devido a acompanhamento, confiança na equipe, fato que permite que hoje a cidade tenha política pública para tornar tudo isso realidade, como é o caso do nosso Fundo de Desenvolvimento Econômico.
“Quando você tem uma boa equipe, é porque você tem um bom líder. Quando você tem uma boa cidade, você tem um bom prefeito”
FP: São Gonçalo tem hoje mais de três mil famílias cadastradas no CadÚnico, ou seja, média de nove mil pessoas se considerarmos três pessoas por família. Todas recebendo algum tipo de benefício do Governo Federal e Municipal. Estes são fatores que acabam desestimulando a busca por emprego. O que fazer para reverter essa situação?
GQ: Eu sempre digo que não há que se falar de desenvolvimento econômico sem desenvolvimento das pessoas. E quando a gente fala de desenvolvimento das pessoas, nós estamos falando de emancipação da pobreza por meio da qualificação e oportunidade de emprego. Temos escolas que têm grau de qualidade e agora, com o IFMG e com o Senai, a gente consegue suprir a demanda que existe no município.
Como que eu enxergo tudo isso? Eu tenho trabalhado muito em conjunto com a Secretaria de Desenvolvimento Social, com a secretária Norma, porque não tem como fazer uma mudança abrupta, cultural.
“Então, a questão nossa é mostrar a essas pessoas que é possível fazer diferente, mostrar a elas que sim, que ela não precisa depender de auxílio para viver”
Em se tratando da geração atual, a questão da mão de obra, ela é um problema em todo o país. Por quê? As relações de trabalho mudaram. Antigamente, você tinha um jovem com 18, 19 anos e o sonho de entrar em um curso técnico, ter sua carteira de trabalho, fichar e comprar seu primeiro carro. Hoje, o jovem com 18, 19 anos, quer ser empreendedor, ele quer ser MEI, ele quer viver de tecnologia.
Então, o que nós temos que ofertar? Possibilidades. É isso que nós estamos fazendo agora com a Secretaria de Desenvolvimento Social, com o programa Conexão do Futuro, que prioriza jovens que vem de uma família de vulnerabilidade. Nós temos que virar para ele e falar; olha, vêm cá, a gente tem possibilidades para você. Você não precisa viver dependendo de auxílios. Quando você precisar, você terá ajuda, mas você tem outras possibilidades.
Hoje, um emprego como tecnólogo garante inicialmente entre R$ 2 a R$ 5 mil. Então, o que nós estamos fazendo com esses meninos de 10, 11, 12 anos, lá no Cras, lá no Creas? Promovendo mudança de mentalidade, uma questão cultural, de mostrar para ele, olha, você pode crescer.
E, paralelo a isso, por exemplo, nós estamos focando na qualificação das mulheres. A gente tem aqui um programa que é o Meio Horário, a Associação Assistencial de Beneficiários, a Asgra. O que nós estamos fazendo com essas mulheres em parceria com a Asgra? Nós estamos tendo uma linha de qualificação para as mulheres, por meio do Senar, com diversos cursos. O objetivo não é diferente. Vamos falar; olha, ao invés de você ficar aqui só com esse benefício, se você fizer esse curso, que seja de penteado, você abre um MEI, se cadastra no programa municipal de crédito e inicia a sua emancipação. Então, a questão nossa é mostrar a essas pessoas que é possível fazer diferente, mostrar a elas que sim, que ela não precisa depender de auxílio para viver. Eu sempre digo, o poder público tem que estar ali para dar a mão para quem precisa, mas tem que emancipar essas pessoas. O programa de auxílio é sucesso a partir do momento em que você tem pessoas saindo dele. Por exemplo, no caso do Asgra, nós tivemos redução, nós estamos reduzindo o número de inscritos, de dependentes.
FP: Vamos falar de política partidária?
GQ: Sim, claro.
FP: Eleições de 2026. Como você avalia a possibilidade de Nozinho voltar a disputar uma vaga na Assembleia Legislativa?
GQ: Olha, eu sou suspeito para falar do Nozinho, mas atualmente o vejo como a maior liderança política regional. Você pode perceber que Nozinho é pautado por duas coisas que eu admiro muito; respeito e caráter.
FP: Seria também lealdade e gratidão?
Sim. Na política isso faz muita diferença. O Nozinho é alguém que construiu sua trajetória política com muito respeito.
“Sei da importância política que São Gonçalo tem para esta região, da importância econômica que São Gonçalo do Rio Abaixo tem”
FP: Então, Nozinho, no seu ponto de vista, tem todas as credenciais para disputar novamente o cargo?
Sim. Você ter políticos que sentam para resolver problemas faz muita diferença. E o Nozinho foi deputado e trabalhou muito. E eu tenho certeza que se ele tomar essa decisão e quiser vir para a disputa, é alguém que, se eleito, com certeza fará muita diferença para o Médio Piracicaba, para Minas Gerais.
FP: Após as suas considerações em relação a Nozinho, você acredita que uma cidade, ou nação, é o espelho do homem que é a governa?
Com certeza. Eu uso muito nas minhas equipes, o liderado é reflexo do líder. Quando você tem uma boa equipe, é porque você tem um bom líder. Quando você tem uma boa cidade, você tem um bom prefeito.
FP: Em relação a Itabira, o Marco Antônio Lage, que você ajudou a eleger em 2020, ele foi desleal com você após a reeleição, que contou também com sua participação?
GQ: Não. Eu compreendo a decisão que ele tomou e cada um tem que ser responsável pelas suas escolhas.
PF: Politicamente, Itabira, tem jeito?
Tem. Itabira é uma cidade de gente trabalhadora, gente que se reergue, que já passou por muitos momentos de dificuldades e que tem toda condição de politicamente dar certo.
FP: Acredita que o Legislativo de Itabira tem caído em desaprovação popular por estar omisso quanto à fiscalização das ações do Governo Municipal?
Não. Eu conversei muito com os vereadores na semana que estive lá. Conversei com todos, os de oposição e situação, da base.
Itabira tem uma característica do poder Legislativo renovar muito. Eu tenho uma postura diferente de alguns daqueles que ali estão, mas eu não acho que há uma omissão. Acho que existe uma Câmara diferente. Na gestão 2021/2024, a Câmara era majoritariamente formada por vereadores da oposição. Esta é uma Câmara formada por vereadores da situação, dos 17, se não me engano, 12 foram eleitos na coligação do prefeito. Eu acho que existe um desgaste como um todo das pessoas com a política, uma descrença com o Legislativo, que não começa na Câmara. Começa no Congresso Nacional, passando pela Assembleia. Acho que é um efeito cascata.
FP: Cidades como Itabira, deveriam optar pelo plebiscito para reduzir candidatos?
Eu acho que a política precisa é que o eleitor julgue trabalho, entrega e resultado. Essa eleição de 2026, para mim, é isso. Eu acho que o eleitor precisa colocar no papel as entregas de cada um dos candidatos, seja ele de cidade vizinha ou do município.
FP: Essa entregas de resultados seriam com emendas para compra de carros?
Não é chegar assim, mandei um carro. Poxa, isso não é trabalho. Quem conhece as dores, quem conhece a característica econômica desta região, que é uma região que representa mais de 15% do PIB de Minas Gerais, sabe que não pode ser só isso.
O seguinte. No mesmo tempo que nós estamos falando de Itabira, São Gonçalo ou Barão de Cocais, que têm recursos, nós estamos falando também de cidades como Itambé, São Sebastião do Rio Preto, Passabém, etc. Que têm ótimos prefeitos que lutam para fazer o único dinheiro público, do Fundo de Participação, resolver todas as demandas, o que não dá. Então, aterrissar como candidato a deputado, trazendo pautas aleatórias, eu acho que a população vai saber separar.
FP: Para fechar, como foi a sua acolhida em São Gonçalo?
GQ: Muito boa. Eu sou muito grato a São Gonçalo. É uma cidade que eu frequento desde quando Nozinho era deputado. Então, conheço o território, sei da importância política que São Gonçalo tem para esta região, da importância econômica que São Gonçalo tem. Foi uma acolhida muito boa. São Gonçalo é uma cidade extremamente acolhedora.
FP: Planos pro futuro? Casamento em São Gonçalo? Família em São Gonçalo?
GQ: Esses aí, tá nos planos, sim (risos).
FP: Gabriel Quintão, considerações finais?
Acho que é dizer realmente, Ludmar, que na vida a gente tem que tomar algumas decisões e que, às vezes, elas podem parecer fáceis, mas não são fáceis de serem tomadas. A decisão minha de licenciar do cargo de vereador em Itabira pode parecer fácil para algumas pessoas que veem, assim; ah, ele tá escolhendo ficar em São Gonçalo. Não, não é que eu estou escolhendo ficar em São Gonçalo, é que eu sou movido por projetos, projetos de cidade. E hoje eu estou com Nozinho, que me dá a possibilidade de aprender dia após dia. Então, hoje, eu estou muito certo da minha decisão, muito confortado, contudo, sem deixar de estar atento a tudo que tá acontecendo em Itabira.









