Polícia Civil prende portugueses por golpes durante calamidade em Juiz de Fora

“Os investigados estavam atuando justamente em um momento de fragilidade social, buscando se aproveitar da situação enfrentada pela cidade para aplicar golpes”, disse o delegado Márcio Rocha

04/03/2026 – A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu, nesta terça-feira (3), três homens suspeitos de aplicar golpes e comercializar produtos falsificados em Juiz de Fora, município que se encontra sob decreto de calamidade pública devido às fortes chuvas registradas nos últimos dias. A ação resultou, ainda, na apreensão de dois veículos de luxo utilizados pelo grupo, de nacionalidade portuguesa.

As investigações tiveram início durante o acompanhamento das áreas afetadas pelas chuvas. Conforme apurado, o grupo – composto por três homens, de 20, 43 e 66 anos – circulava pela cidade oferecendo às pessoas nas ruas mercadorias contrafeitas como se fossem originais, com supostos descontos.

Entre os produtos apreendidos estão ternos, vestuário, óculos, perfumes, malas, mochilas, panelas e faqueiros de marcas renomadas, comercializados de forma enganosa.

Abordagem policial

Por meio do trabalho de inteligência, os policiais identificaram o modo de agir do grupo, assim como registros semelhantes em outros municípios mineiros, como Patos de Minas e Rio Paranaíba, ambas localizadas na região Alto Paranaíba.

Com base nessas informações, a equipe da PCMG deu início à operação. Após monitoramento, os suspeitos foram abordados quando chegavam a um hotel no Centro de Juiz de Fora.

No interior dos veículos e em três quartos ocupados pelo grupo, foram localizados volumes expressivos de mercadorias falsificadas. Os suspeitos confessaram a prática ilícita, bem como o armazenamento do material nos quartos do hotel.

Uma mulher de 43 anos estava com o grupo e negou envolvimento com os crimes. Ela foi ouvida e liberada.

“Identificamos que os investigados estavam atuando justamente em um momento de fragilidade social, buscando se aproveitar da situação enfrentada pela cidade para aplicar golpes”, ressaltou o delegado Márcio Rocha, que ainda acrescentou: “A resposta foi rápida e firme, para impedir que mais pessoas fossem lesadas”.

O delegado orienta que eventuais vítimas que tenham adquirido produtos desse grupo procurem uma delegacia da Polícia Civil para formalizar a denúncia.

Encaminhamentos

Os suspeitos foram conduzidos à unidade policial, onde tiveram as prisões em flagrante ratificadas por crimes contra a propriedade industrial e associação criminosa. Com a formalização dos procedimentos de polícia judiciária, os suspeitos foram encaminhados ao sistema prisional.

Os dois veículos utilizados pelo grupo também foram apreendidos e removidos ao pátio credenciado.

Burla

O nome da operação faz referência ao termo utilizado em Portugal para designar crime equivalente ao estelionato no Brasil, em referência à conduta praticada pelo grupo, que consistia em induzir vítimas ao erro mediante a venda de produtos falsificados como se fossem originais, obtendo vantagem ilícita.