Além de 22 prisões, foram apreendidos diversos documentos e dinheiro em espécie
25/03/2025 – A Polícia Civil, por meio da 2ª Delegacia Regional de Caratinga, deflagrou na manhã desta segunda-feira (24), a operação policial “Forasteiros”.
A investigação desarticulou uma organização criminosa que se instalou na Prefeitura de Caratinga, e por meio de fraudes licitatórias, desviavam milhões de reais do erário para beneficiar os integrantes dessa organização.
A investigação apontou que o líder da organização criminosa teve livre acesso a setores estratégicos da Administração Municipal, direcionando contratações para beneficiar grupos específicos. Foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária nos municípios de Caratinga, Ubaporanga, Ipatinga, Santana do Paraíso, Belo Horizonte, Mateus Leme, Betim e Juatuba.
Os dois primeiros grandes contratos fraudulentos assinados foram com uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), no valor de R$ 17.969.710,00 e outro com uma cooperativa de transporte, de R$ 20.547.180,00.
Ambos os contratos teriam sido direcionados para pessoas jurídicas previamente escolhidas com o objetivo de desviar recursos públicos. A Polícia Civil identificou movimentações financeiras atípicas entre as pessoas jurídicas envolvidas e seus gestores, incluindo transferências de vultuosos valores entre duas OSCIPs diferentes.
A operação contou com a participação de 77 policiais civis
A Polícia Civil identificou que o líder da organização criminosa, nomeado como assessor do executivo, embora não fosse oficialmente cooperado ou administrador da empresa contratada, possuía uma procuração que lhe concedia poderes amplos sobre a cooperativa, incluindo movimentação financeira. Essa procuração foi lavrada durante o período eleitoral, indicando um acordo prévio para garantir o contrato após a posse do novo grupo político.
A cooperativa administrada pelo líder da organização criminosa e envolvida em fraudes anteriores, serviu de modelo para a fraude, repetindo o esquema criminoso. No dia 17 de outubro de 2024, poucos dias após o resultado das eleições de 2024, o investigado, por meio da procuração, abriu uma conta bancária em nome de uma cooperativa, em agência bancária no município de Caratinga, como ato preparatório para o recebimento após a contratação.
Mesmo após as 22 prisões, a Polícia Civil continua dando andamento à investigação, visando o completo esclarecimento dos fatos criminosos e suas respectivas responsabilizações legais junto ao Poder Judiciário.
A operação contou com a participação de 77 policiais civis das delegacias de Caratinga, Inhapim, Ipanema, Ipatinga e Belo Horizonte.