Abordagem apontada como desmedida a motorista de ônibus rende nota da PM e de empresa de transporte

Ação acontece devido a publicação de vídeo na internet e opinião pública contrária a ação dos militares

31/03/2025 – A abordagem policial a um motorista do transporte coletivo em exercício do seu trabalho apontada como desmedida, continua a render comentários com publicação de vídeo na internet. O fato aconteceu na noite da última sexta-feira (28), na avenida Madalena Pereira Santos, no bairro São Joaquim, em Itabira.

O motorista, Geraldo do Carmo, afirma ter sido agredido durante a ação dos policiais, enquanto a Polícia Militar alega que o uso de força física foi necessário para imobilização diante de resistência à abordagem.

Os vídeos que circulam na internet mostram a viatura ao lado do ônibus dando ordem de parada e em seguida dois policiais imobilizando o motorista num golpe de mata leão, pontapés e socos.

Pessoas que estavam no ônibus tentaram interceder perguntando se aquilo era necessário e que estavam machucando o homem.

Geraldo disse que sofreu ferimentos na boca e braços. Ele contou que foi conduzido para realização de exame de corpo de delito no Pronto-Socorro Municipal e em seguida para a Delegacia Regional de Polícia, onde foi autuado por resistência e usurpação de função pública.

Geraldo disse que vai entrar com uma ação contra esses policiais. “Eu sou um pai de família, todo mundo me conhece”, declarou.

Diversas pessoas se manifestaram nas redes sociais em defesa dele, lamentando a violência praticada por policiais contra um trabalhador em serviço.

O motorista concedeu entrevista em rádio da cidade contando sua versão dos fatos e lamentando a violência e falta de respeito com que foi tratado pelos policiais envolvidos.

Para o motorista, ele foi vítima de um mal entendido e acabou sendo atacado com golpes violentos sob acusações que não refletem a verdade.

Segundo ele, a confusão começou quando arrancou o ônibus depois de parar para o embarque de um passageiro, sem perceber que tinha uma viatura atrás pedindo passagem. Devido a falta de espaço, Geraldo disse que não teve como atender os policiais prontamente.

“Eu vinha subindo a Juca Machado, parei no ponto para um passageiro embarcar. Ao embarcar o passageiro, dei seta para a esquerda e aí veio uma viatura da polícia com o giroflex aceso, mas não com a sirene ligada. Vi que não ia dá espaço para a viatura policial passar, arranquei o ônibus e continuei a viagem. Perto do Posto Chiquito, descendo, dei passagem para eles”, relatou ao radialista.

Em vez de seguir, a viatura parou na frente do ônibus para bloquear sua passagem e quando desceu do veículo foi surrado pelos dois. Sem entender os motivos das agressões ele disse que reagiu falando que não precisava daquilo, pois era reservista do exército também, o que piorou sua situação.

  • Vídeo publicado em redes sociais

“Só que ele parou a viatura na frente do ônibus e chegou com ignorância, agredindo com palavras verbais, me mandou sair do ônibus e já chegou me batendo, pontapé, me enforcando, eu fiquei sem entender”.

Em nota, PM aponta resistência na abordagem e agressão a policial

Na manhã de domingo (30), diante da repercussão, a Polícia Militar soltou uma nota afirmando que os policiais agiram em cumprimento de suas funções. Os policiais constaram ainda em Boletim de Ocorrência, que mesmo com a sinalização ligada, a viatura foi impedida de passar pelo motorista, que além de impedir o trabalho da polícia, resistiu à abordagem e ainda apresentou documentação falsa de identificação de função pública.

A nota diz ainda que durante a abordagem, um dos policiais sofreu uma lesão na mão direita e precisou de atendimento médico.

“Diante da situação apresentada, ficou constatado que o motorista do ônibus apresentou documento falsificado aos policiais militares, resistiu à prisão e lesionou um dos militares, pelo que foi conduzido preso à Delegacia de Polícia para as providências pertinentes”, diz a nota.

A nota diz que o caso está sendo acompanhado pelos órgãos de controle interno e promete providências, caso sejam constatadas irregularidades na ação policial.

Transporte Vita se pronuncia e exige respeito

A empresa de transporte coletivo em que o motorista trabalha, também veio a público para se manifestar contra o ocorrido.

Mostrando indignação contra a violência na ação dos policiais, a empresa soltou uma nota de repúdio manifestando preocupação e pedindo esclarecimento dos fatos.

Na nota, expressou respeito à corporação, exigindo o mesmo respeito ao trabalho prestado, bem como aos seus colaboradores.

“Reafirmamos nosso compromisso com a segurança, o respeito e a dignidade de todos os nossos colaboradores, bem como com o direito ao trabalho em um ambiente seguro e livre de intimidações. O transporte coletivo é um serviço essencial à população e deve ser tratado com a seriedade e o respeito que merece”.

Na nota, também expressa a confiança que tem nas autoridades, das quais espera medidas que evitem que o problema volte a acontecer.

“Confiamos que as autoridades competentes tomarão as devidas providências para esclarecer os fatos e evitar que situações como essa se repitam”.