Moradores impactados pela captação no rio Tanque prometem mobilização e paralisação da obra

Flagrante de caminhões carregados parados em cima de ponte, comprometendo estrutura e a segurança

09/07/2026 – Os moradores das regiões rurais de Gomes, Dona Rita, Baú Simões de cima e de baixo, Paneleiro, Machado, Coqueiros, impactados pelas obras de captação de água do rio Tanque, de responsabilidade da Vale para abastecer suas usinas e reservatórios na zona urbana de Itabira, estão se organizando para paralisar o projeto e cobrar respostas devido aos graves impactos gerados, como um siga e pare com até uma hora de duração, atrasando viagens de moradores, em alguns casos para consultas e acesso à escolas, e também pela obra de asfaltamento ligando a comunidade de Gomes até a MGC-462, na região do condomínio da Rocinha, total de 20km, como condicionante pela capitação e pelos impactos.

Siga e pare para conexões de tubos chega a travar a via por até uma hora

O morador da região de Gomes, Wanderson Fonseca Alves “Dandinho”, informou que a prioridade dos moradores é o asfaltamento, o que seria o mínimo como compensação pela captação que vai reduzir o fluxo do rio, podendo apresentar problemas futuros. “Já estamos sofrendo com os impactos do siga e pare que, em algumas situações, como a conexão dos tubos, chega a demorar uma hora, fora as paradas para manobras de equipamentos, que trava o acesso por 20, 30 minutos, isso por várias vezes ao dia”, disse.

Por dia, são várias paradas para manobras de equipamentos ou limpeza de encostas

Para tentar sensibilizar órgão como o Ministério Público Estadual e a Prefeitura, está sendo realizado um abaixo-assinado, apontando os impactos e exigindo reparações, sendo a principal o asfaltamento do trecho de 20km.

A manifestação, seguida de paralização, deve acontecer nos próximos dias.

A obra

O projeto Rio Tanque contempla a construção de um sistema de captação e de uma ETA, com capacidade para fornecer 600 litros por segundo (l/s), superando o consumo atual de 400 l/s da população de Itabira. O empreendimento beneficiará diretamente cerca de 113 mil habitantes.

As obras do projeto tiveram início em março de 2025. A própria Vale havia assumido o serviço, mas acabou contratando, neste ano, a Construtora Vale Verde para a execução do projeto.

Além da implantação da adutora, que terá extensão total de 25 quilômetros, estão em andamento serviços de topografia, supressão vegetal, sondagens, terraplenagem e montagem dos canteiros. Para minimizar transtornos, está sendo realizada a umectação das vias ao longo do traçado do projeto, bem como outras medidas de controle ambiental.

O investimento da Vale no projeto é de aproximadamente R$ 1,17 bilhão e deve gerar cerca de 1.200 empregos no pico das obras.