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CONCEIÇÃO: Capital do ecoturismo em Minas preserva a história 31/08/2014 às 22:37:57

“Um povo sem o conhecimento de sua história, origem e cultura é como uma árvore sem raízes”.

 A frase é do ativista jamaicano Marcus Mosiah Garvey, mas ilustra a realidade de Conceição do Mato Dentro, que vive a expectativa da indústria da mineração em meio ao turismo ecológico e a preocupação em preservar a história e manter sua identidade. Para isso, uma das ações está sendo a recuperação de imóveis tombados como patrimônio público, cultural e artístico, feita por meio da Prefeitura, recursos do ICMS Cultura, Anglo American e o Ministério Público de Proteção do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais.

A secretária municipal de Cultura e Patrimônio Histórico, Júlia Santana conta que são vários os imóveis centenários da cidade, que tem legislação especifica, com projetos de recuperação.

 “Por se tratar de imóveis tombados, cuja legislação de proteção do patrimônio cultural é específica, o processo de recuperação é diferenciado e exige elaboração de projeto de restauração antes de qualquer intervenção”, diz a secretária, se referindo as reformas em andamento e projetos em fase de elaboração e aprovação. 

Entre os bens tombados em fase de recuperação, estão o Casarão da Família Lages e o Sobrado da Prefeitura. Ambas as obras tiveram início em maio deste ano.

O Casarão é um exemplar remanescente e teve reconhecido os seus valores históricos e artísticos protegidos pela Lei Orgânica Municipal de 11 de agosto de 1990, no seu capítulo VII, artigo 85, item X.

 Uma parceria entre as secretarias municipais de Cultura e Patrimônio Histórico e de Educação, transformará o imóvel desapropriado pela Prefeitura de Conceição do Mato Dentro em palco de atividades educacionais, culturais e lúdicas como teatro, dança, música e artes em geral.

Já o Sobrado da Prefeitura é de propriedade do município e tem sua proteção reconhecida através da Lei Orgânica Municipal de 11 de agosto de 1990.

A edificação possui forma retangular, com cobertura em quatro águas em telhas de barro artesanais, janelas e portas em madeiras com vergas alteadas e um conjunto de sacadas protegidas por guarda corpos em ferro. Recuperado, o espaço abrigará o primeiro Museu Municipal de Conceição do Mato Dentro, que terá salões para exposições permanentes e temporárias, cafeteria com livraria, além de proporcionar acessibilidade para portadores de necessidades especiais conforme é a obrigatoriedade e preocupação da legislação vigente.

Em fase final de projetos para recuperação está o Mercado Municipal, edificação remanescente do início do século, com arquitetura bastante caracterizada por seus valores coletivos, reconhecidos pela Lei Orgânica Municipal de 11 de agosto de 1990, no seu capítulo VII, artigo 85, item X.

As reparações serão hidráulicas e elétricas, pintura, adequações nos banheiros masculinos e femininos e reparos nas paredes. A obra será licitada no próximo mês e contará com verba do ICMS Cultural.

Além destas ações de recuperação, a secretária municipal de Cultura está finalizando o cadastramento de todos os imóveis tombados na cidade, distritos e povoados. “Não existem registros anteriores completos, o que dificulta nossas ações. Mas até então são mais de 20 imóveis, além de seus conjuntos paisagísticos e naturais, pinturas rupestres, bens integrados, dentre outros que já estão sendo catalogados”, disse Júlia. 

Outro bem público em fase de restauração é a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, no centro da cidade. A obra é custeada pela Anglo American em parceria com a Paroquia de Conceição e Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (Iphan).

A Igreja foi erguida nos primeiros anos do século XVIII, por iniciativa do sertanista Gabriel Ponce de Leon. Em 1722 a capela-mor já se encontrava concluída e, em 1772, foi concedido auxílio real para dar procedimento às obras que foram concluídas no dia 6 de novembro de 1802, quando a igreja recebeu a benção inaugural.





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