Política
ELEIÇÃO: Votar apenas em prata da casa não empolga eleitores 26/08/2014 às 07:59:40

O tímido movimento de conscientização para que o eleitor vote apenas em candidatos da cidade para garantir a eleição de um legítimo representante na Assembleia de Minas ou na Câmara dos Deputados não convence, ao contrário, desperta desconfiança em moradores da região, que acreditam em nomes com histórico limpo e exemplo de ações na área pública.

O não ao movimento, que desagrada os caciques da velha política, que antes apoiavam forasteiros e hoje defendem suas próprias eleições, foi confirmado pelas ruas das cidades de Santa Maria de Itabira, São Sebastião do Rio Preto, Santo Antônio do Rio Abaixo, Barão de Cocais e Santa Bárbara no início desta semana, em uma rápida enquete com moradores.

“Não creio que votar em candidatos da cidade garantam vitória e conquista. Vejo isso como estratégia de campanha para convencer um número maior de eleitores. Estamos em uma democracia, e em se tratando de eleição estadual e federal, o candidato deve conquistar eleitores nos quatro cantos do estado e a federal, pelo Brasil, pois fazer política social tem que ser coletivo”, opina o empresário Paulo Lúcio Pereira.

“O dinheiro é um só, e já que a proposta é ter um representante para canalizar recurso para a cidade, seja ela Santa Maria de Itabira, Barão de Cocais, Santa Bárbara entre outras, não vejo a necessidade de o deputado ser da cidade. Isso é forçar o eleitor a votar no candidato x ou y independente de seu passado político ou se ele é bom ou não. Aprendi que o voto é livre e você deve escolher aquele que melhor poderá representar a sociedade num todo”, opina professor Luciano Madeira.

Em Santa Maria, Reinaldo Barbeiro reconhece que sem um deputado a cidade perde. 

É bom você ter um representante na Assembleia, pois quando se abre o Orçamento Fiscal do Governo o parlamentar tem as prerrogativas de propor emendas destinando investimentos para cidades do interior, mas para fazer diferença, o deputado tem que contar com pessoas compromissadas nas cidades onde ele é votado para que os recursos chequem. Mas a maioria dos apoiadores só querem benefícios próprios ou alguns trocados durante os três meses da campanha. Por outro lado, o ideal é defender quem realmente tem condições de ser eleito, mas sem essa de fazer ‘curral’ eleitoral”, comenta Reinaldo.

O empresário Whitney Catizani, da cidade de Santo Antônio do Rio Abaixo, acha que usar o argumento de ‘candidato da cidade’ é um tanto esquisito. “Defendo a proposta de deputado comprometido com as cidades de Minas e do Brasil. Tem tanta coisa para fazer e os candidatos, e deputados já eleitos, estão pensando em manter os meios de garantir a perpetuação no cargo por meio de migalhas dos governos para promover o desenvolvimento pífio de suas bases eleitorais. Nada mais é do que uma forma dos governos terem os deputados nas mãos, ao abrir portas para as ações sociais dos mesmos, função que deveria ser executada diretamente por setores dos próprios governos.

Outra mediocridade é dizer que para aparecer no mapa dos governos estadual e federal a cidade tem que ter um representante legítimo. Acho que está havendo uma confusão, pois as ações políticas devem atender ao coletivo”, disse o empresário Whitney Catizani.

Outro fato interessante é que além de proporem a valorização de supostas ‘pratas da casa’ e eleger um legitimo representante, os articuladores políticos camuflam a realidade quando o assunto é a naturalidade de seus candidatos. Conforme informações eleitorais no site do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG), nem todas as cidades tem seu próprio candidato puro sangue, como é o caso de Itabira e João Monlevade, onde grande maioria são nascidos em outras cidades  

 





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